Setor da Distribuição


As vendas do setor automotivo vinham em linha com nossas estimativas, de crescimento de quase 10% para o ano de 2020, quando chegou ao Brasil o
Coronavírus, no mês de março. Tivemos, então, uma parada súbita em quase todos os setores da economia. No caso específico do setor automotivo, o impacto foi forte, fazendo com que as vendas caíssem, no mês de abril, 75%, em relação a igual mês de 2019. As concessionárias foram obrigadas a
manter as portas fechadas, por vários meses, e as vendas pela internet não foram suficientes para compensar a redução das vendas físicas. Os
números começaram a melhorar a partir do mês de maio, quando a maioria dos municípios autorizou a reabertura das lojas, mas em velocidade
insuficiente para uma recuperação plena nesse ano. Como resultado, estamos ainda mais distantes de recuperar os níveis de 2013. Vale destacar que alguns segmentos conseguiram apresentar resultados menos negativos, a exemplo de caminhões e implementos rodoviários. No primeiro semestre,
enquanto automóveis e comerciais leves tiveram queda de 39%, ônibus retraíram 37% e motos caíram 34%, o mercado de caminhões diminuiu suas
vendas em 20% e os implementos caíram apenas 13%. Com a parada da produção, por parte da maioria das montadoras, foi possível administrar os
estoques dos produtos e retomar as vendas, ainda que de forma lenta. Mesmo com a recuperação observada, a nossa expectativa para o ano é de uma queda em torno de 30% nas vendas do setor automotivo.

Dados: Fenabrave. Elaboração: MB Associados

Automóveis


A comercialização de automóveis encerrou o semestre com queda de 40%. Esse número deve apresentar uma melhora até o final do ano, mas ainda
seguirá com redução importante nas vendas. Nossa expectativa é de que o segmento encerre 2020 com retração de, aproximadamente, 30%, em
relação a 2019, pela ligeira recuperação ao longo do segundo semestre. A redução do PIB, em torno de 5%, com consequente queda de emprego e
renda e maior dificuldade para obtenção de crédito por parte da população, contribuirão para esse resultado. Por outro lado, com o juro real zero ou
efetivamente negativo, a busca por ativos reais vai contribuir para que esse desempenho não seja pior. Na nossa visão, as vendas irão crescer de forma
lenta no segundo semestre, em relação aos resultados obtidos entre janeiro e junho desse ano. Alguma retomada nas vendas diretas irá contribuir para
essa melhora.


Comerciais Leves


Esse segmento foi menos afetado no primeiro semestre do ano, quando comparamos com o desempenho dos automóveis. Enquanto estes perderam
quase 40% nas vendas, entre janeiro e junho de 2020, contra o mesmo período de 2019, a redução na comercialização dos comerciais leves foi de 30%, também no primeiro semestre. Nesse segmento, no qual o poder aquisitivo dos compradores é, em média, superior aos dos compradores de automóveis em geral, a demanda sentiu menos. Contribui para as vendas de comerciais leves, o desempenho da agricultura brasileira. Nas regiões agrícolas, as vendas apresentam melhor resultado.


Caminhões


A venda de caminhões, segmento que também retraiu na chegada da pandemia, apresenta recuperação mais forte do que outros segmentos. A redução
na comercialização não atingiu 20%, no acumulado até o mês de junho, e, no mês de julho, o setor apresentou crescimento de 5,8%, em relação a igual
mês de 2019, indicando uma forte demanda por esse produto. Mais uma vez, os pesados e extrapesados, que representam mais de 50% das vendas de caminhões, são os produtos mais procurados, em função do bom desempenho dos setores agrícola, de logística e distribuição e de construção civil, que têm apresentado, até o momento, resultados melhores do que previstos no início da crise. A oferta de financiamento pelos bancos privados segue com bom desempenho, com taxas consideradas ainda atraentes pelos compradores e inferiores a 1% ao mês. No segmento de leves e médios, o mercado começa a sentir um início de recuperação de demanda.


Ônibus


O segmento de ônibus foi fortemente afetado nos primeiros meses da pandemia. A partir de mês de junho e ao longo do mês de julho, apresentou
melhora significativa, passando de uma média diária de 23 unidades comercializadas para quase 90 unidades, em meados de agosto. Essa melhora foi consequência, em parte, da retomada do programa “Caminho da Escola”, que tinha sido paralisado no início da pandemia. O crescimento deve desacelerar no segundo semestre, em função da diminuição da participação do programa “Caminho da Escola”.


Motocicletas


Com a chegada da COVID-19, a demanda por serviços de entregas, em que o principal meio de mobilidade é a motocicleta, aumentou mais de 25%,
contribuindo para que a procura por esse meio de transporte também aumentasse de forma importante. Essa demanda não refletiu inicialmente no mercado, em função da paralisação da produção das montadoras e da queda na oferta desse produto. Com o retorno da produção, as vendas deram início a um processo forte de recuperação, que se manteve até meados do mês de agosto. Acreditamos que esse movimento seja mais suave ao longo do segundo semestre, mas que se mantenha positivo.
Implementos Rodoviários Segmento que apresentou menor índice de queda ao longo do período da pandemia, com redução de apenas 13% nas vendas no primeiro semestre de 2020, comparado com igual período de 2019. Os setores atendidos são os mesmos do segmento de caminhões, o que contribui para esse melhor resultado. Esse desempenho vem se mantendo estável. Por isso, acreditamos em uma redução de vendas próxima a 10% ao longo do ano.

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